quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A COR DO PRAZER DAS VELAS







 di M

O fetiche pelo calor
calor de corpos
calor de quem manda
calor das velas
o prazer que traz cor
velas coloridas
velas ardentes
assim como ardente é meu tesão por ti
tu me tocas quando me colore
tu me tocas quando me desperta
te toque tem a cor do prazer...



É NATURAL





É natural sentir tua falta
É natural pensar em ti
Lembras?
tu chegastes em minha vida
markando territórios
limitando liberdades
controlando sensações
É natural querer te encontrar
É natural querer te ver 
sentir tua voz de comando
tua marka invadindo
tocando, remexendo
empurrando
provocando indescritíveis sensações
É natural ir ao teu encontro
seja aqui, ali, acolá,
É natural te chamar de Mestre, de Senhor, de Dono
pois é natural que Contigo assim eu me sinta
É natural me achar serva, escrava, submissa
É natural seguir tuas sendas, teus passos teus traços
É natural sentir saudades de ti...
É natural desejar tua Marka!

A RECUSA









«Não há duas mulheres iguais», pensou Vítor, um pouco admirado.

Nem mesmo tratando-se de escravas. Seria de esperar que a condição de escrava simplificasse tudo e uniformizasse tudo, afinal todas as escravas são iguais nos seus direitos, que são apenas dois: o de se tornarem escravas e o de deixarem de o ser, sendo que entremeio não têm nenhuns.

Mas não, aqui estava perante ele a sua escrava lassie, a dizer-lhe com o ar mais determinado deste mundo, «não, isso não, isso nunca o poderei fazer». E isto por causa duma ordem a que nunca nenhuma sua escrava se negara antes, nem mesmo a dúnia, que tinha da vergasta um verdadeiro pavor: a de beijar a vergasta antes e depois do castigo, como sinal de submissão e reconciliação.

Recusa tanto mais surpreendente por vir da lassie, uma escrava de cujos limites Vítor pensara até então que já tinha uma ideia muito aproximada. Uma escrava que em muitos aspectos era, das quatro que tinha tido ao longo da vida, a que mais prontamente obedecia às ordens mais difíceis, a que mais dolorosos castigos suportava, a que mais alegremente se humilhava diante dele.

……………………..

Lassie perscrutou o rosto do seu novo dono: como ia ele reagir a esta recusa, a primeira desde o pacto de escravidão que tinham celebrado? Viu-o pôr-se sério, de repente. Depois viu-lhe os olhos atentos, indagadores, que a estudavam e pareciam penetrá-la até ao fundo da alma. A seguir pareceu-lhe ver – mas nisto podia estar enganada – um brevíssimo lampejo de compaixão, logo substituído por uma expressão que lassie conhecia, mas não sabia de onde.

Até que se lembrou: tinha-a visto num filme, no rosto de um samurai que se preparava para o ritual do seppuku. Imediatamente afastou a ideia: é claro que nenhum Senhor se vai suicidar e abrir a barriga com uma espada só porque uma escrava se recusou a obedecer a uma ordem. Mas o que via no rosto de Vítor era a mesma determinação que vira no ator do filme, a mesma imensa saudade pela vida que ia ficar por viver.
- Minha escrava, não tens o direito de recusar.


- Eu sei, não estou a recusar, é que não posso mesmo – disse lassie.
Tratava-se duma insignificância, seguramente, porque sentia ela o coração tão apertado? E o que ia ele fazer, ele, o seu Senhor amado, que intenção tinha ele no coração que lhe punha os olhos daquela maneira, iguais aos do samurai do filme?

- Lassie, minha escrava, sempre que te dou uma ordem estou a arriscar a tua felicidade e a minha. Compreendes isto?

Lassie compreendia, vagamente. Vítor explicou melhor:
- Quando te dou uma ordem estou a apostar que a podes cumprir. Porque se não podes, ou não queres, o único direito que tens é o de deixar de ser minha escrava naquele preciso momento. E eu, a única possibilidade que tenho é libertar-te, mesmo que ao fazê-lo a minha vida deixe de ter sentido.


- A tua vida não vai deixar de fazer sentido só porque eu não quis obedecer a uma insignificância qualquer! – exaltou-se lassie.
- Pois não. Só deixa de fazer sentido se por causa dessa insignificância eu já não te sentir minha.

Lassie encolheu os ombros, irritada.
- Tu pensas que te é impossível cumprir uma ordem que te dei – disse Vítor. – Talvez tenhas razão. Eu penso, e posso estar errado, que consegues. Talvez seja muito difícil para ti, mas impossível não é. É essa a minha aposta. Sei o risco que corro e que te faço correr. A ordem mantém-se: beija a vergasta.

- Não posso…
Por um longuíssimo momento, que pareceu durar horas, Vítor manteve os olhos fixos nos de lassie. Por fim pareceu encontrar qualquer coisa, ela nunca soube o quê, no fundo dela: a expressão com que a olhava suavizou-se de repente e deu lugar a um pequeno sorriso em que a ternura se misturava a um pouco de melancolia.

- Está bem, minha escrava.
E mandou-a, com a voz mais meiga que ela já lhe tinha ouvido, colocar-se em posição de ser punida; de joelhos diante do sofá, os cotovelos e os seios pousados no assento, as nádegas empinadas e nuas.

Enquanto esperava pelo castigo, lassie examinou os seus sentimentos. Não se sentia vitoriosa, pelo contrário. Sentia-se como se tivesse acabado de perder alguma coisa, não sabia o quê. Uma parte dela desejava ardentemente que Vítor repetisse a ordem de beijar a vergasta, e dizia a si própria que se ele o fizesse se precipitaria para obedecer. Mas sabia também que aquela ordem não seria repetida nas próximas semanas ou meses, e que talvez nunca mais o fosse.

Quando o castigo finalmente veio – duro, súbito, impiedoso – foi uma libertação e um deslumbramento: lassie entregou-se a ele e perdeu-se nele como um suicida entrega o corpo ao mar.

 

 










 

NA TUA AUSÊNCIA...










Na tua ausência
tua presença são as lembranças e os desejos de ti

Na tua ausência
vou me "virando" como posso

Na tua ausência
sinto tua falta...

Nunca esqueça disso:
Tu fazes parte em mim.