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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

SEM QUE ME PEDISTE



Carlos Drummond de Andrade 


Sem que eu pedisse,
fizeste-me a graça de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse,
ficaste de joelhos em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo, não te escuto, não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.


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